Do Pelé.Net BELO HORIZONTE - A partir de reportagem publicada no Estado de Minas, neste domingo, o Ministério Público de Minas Gerais abrirá investigação na gestão dos irmãos Perrella, à frente do Cruzeiro desde 1995. O jornal mostrou a evolução patrimonial de Zezé e Alvimar nos últimos anos, enquanto se dedicavam a administrar o clube.
O promotor da Defesa do Patrimônio Cultural, Eduardo Nepomuceno, investigará indícios de desvio de bens e enriquecimento ilícito, conforme demonstrado na maneira com que a administração de negócios particulares dos irmãos Perrella do clube têm se misturado.
"Vamos iniciar um processo investigatório, dada a notícia que foi veiculada na imprensa e vamos tentar confirmar aqueles indícios que sugerem um possível desvio de bens ou enriquecimento ilícito", afirmou Eduardo Nepomuceno, referindo-se à multiplicação da fortuna de Zezé Perrella nos últimos anos.
De acordo com a reportagem "Paixão & fortuna", Zezé Perrella declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em 1998, quando se candidatou a deputado federal, um patrimônio de R$ 830 mil. Em 2001, o valor já era de R$ 1.942.085,89, mais que o dobro. Atualmente, apenas o capital social de quatro empresas com as quais o dirigente têm ligação soma R$ 3,541 milhões.
A matéria do Estado de Minas mostra que Zezé Perrella saiu de uma residência em bairro de classe média em Belo Horizonte, quando assumiu o Cruzeiro, em 1995, para uma mansão na Pampulha, avaliada em R$ 2 milhões, além de possuir carros importados e até um avião. Da mesma maneira, Alvimar de Oliveira Costa, atual presidente, vive em apartamento de luxo em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A reportagem aponta uma intrincada rede de empresas com as quais Alvimar e Zezé têm ligação, sempre como sócios e nunca como proprietários. O elo entre o clube e as empresas é Euler Mendes Nogueira, conselheiro e auditor das contas do clube que trabalha como contador para os irmãos e serviu como testemunha em alguns contratos de ambos com empresas.
Eduardo Nepomuceno investigará a movimentação financeira do Cruzeiro nos últimos anos. "A notícia diz que o dirigente teria aproveitado da situação do clube para se enriquecer, então a gente tem que saber o que o clube movimentou na gestão do dirigente, para que ele pudesse tirar proveito ou não dos valores movimentados pelo clube", afirmou.
O promotor espera contar com a ajuda da Receita Federal e da Polícia Federal, uma vez que a reportagem aponta para negócios no exterior. Uma das empresas abertas para viabilizar a parceria entre Cruzeiro e Hicks, Muse Tate & Furst, que vigorou de 1999 a 2002, tem sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman.
"Vai haver uma juntada de documentos, nós vamos requisitar informações ao Cruzeiro, aos investigados, e se possível também contar com a cooperação da Receita Federal e da Polícia Federal para fazer uma análise criteriosa na situação fiscal e em relação a eventuais outras contas do clube que possam estar fora do estado e fora do País", explicou Nepomuceno.
Dirigente se defende Antes de o promotor anunciar a investigação sobre a gestão dos irmãos Perrella à frente do Cruzeiro, Zezé Perrella, que atualmente é vice-presidente de futebol do clube, divulgou nota oficial, justificando a evolução patrimonial entre 1998 e 2001. Disse que a duplicação do patrimônio foi fruto dos rendimentos da Câmara Federal como deputado federal e lucros das empresas que participa.
O dirigente explica que já era proprietário das empresas Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários Ltda., Pental Participações e Empreendimentos S/C Ltda., Frigorífico Perrella Ltda. e Catabriga e Cia. "Portanto, não posso aceitar vincular minha evolução patrimonial com a do Clube", afirma Perrella, na nota.
Ele nega, pelo comunicado à imprensa, que Alvimar de Oliveira Costa, atual presidente do Cruzeiro, tenha participação em um dos frigoríficos apontados pelo Estado de Minas. Diz que o dirigente tem apenas 25% de participação em um pequeno frigorífico em Tocantins, o Tocantins Empreendimentos.
Zezé Perrella lembrou que foi o único dirigente a oferecer espontaneamente seis sigilos fiscais e bancário à CPI do Futebol, e que nada de irregular foi encontrado. Acrescentou que está disposto a fazer o mesmo agora.
"Recordo ainda que fui o único dirigente do Brasil a oferecer espontaneamente meu sigilo fiscal e bancário para a CPI do Futebol, onde nada de irregular foi encontrado. O mesmo estou fazendo a partir de agora com a Presidência e Conselho Fiscal do Clube para que não paire dúvidas sobre minha idoneidade moral", declara o dirigente, na nota.
Sobre Euler Nogueira Mendes, o dirigente disse que "foi convidado para conselheiro do clube após vários anos de bons e reconhecidos serviços prestados ao clube, "mantendo completa independência em seus exames".
"Em relação a empresa ENM Auditoria, contratada pelo Clube, informamos que seu sócio-diretor Euler Nogueira Mendes foi convidado para Conselheiro do Clube após vários anos e bons e reconhecidos serviços prestados ao Clube, mantendo completa independência em seus exames, o que pode ser comprovado pela emissão de Pareceres com ressalva, por três anos, além de Ter seus serviços analisados por duas auditorias internacionais, quando da Parceria com a HICKS", diz a nota.
Enviado por Breno Faria